Como escrever um artigo científico: estrutura, Vancouver e guidelines
2026-05-25
Orientação para publicação
Como escrever um artigo científico: estrutura, Vancouver e guidelines
Publicar um artigo é diferente de entregar um TCC. Em vez de uma banca, o texto passa por editores e revisores de um periódico, e precisa caber no formato que aquela revista específica exige. Este guia organiza os pontos que mais pesam nessa transição.
O artigo segue a lógica do periódico, não da universidade
A primeira mudança de mentalidade é importante: enquanto o TCC segue as normas da instituição — no Brasil, em geral a ABNT —, o artigo segue as diretrizes do periódico onde será submetido. Cada revista publica suas instruções para autores (também chamadas de author guidelines ou diretrizes para autores), e elas definem desde o limite de palavras até o estilo de citação e o formato das figuras.
Por isso, a recomendação prática é escolher o periódico antes de finalizar o artigo, não depois. Escrever sem um destino em mente quase sempre gera retrabalho: ajustar estrutura, cortar texto e reformatar referências de um padrão para outro.
A estrutura IMRaD
A maioria dos artigos científicos empíricos segue o modelo IMRaD — sigla, em inglês, para Introdução, Métodos, Resultados e Discussão. Cada parte tem um papel definido:
A introdução situa o problema, apresenta o que já se sabe e termina com o objetivo ou a pergunta de pesquisa. Os métodos descrevem como o estudo foi conduzido, com detalhe suficiente para que outra pessoa pudesse reproduzi-lo. Os resultados apresentam os achados de forma objetiva, apoiados em tabelas e figuras, sem interpretá-los. A discussão interpreta esses achados, compara-os com a literatura, reconhece limitações e aponta implicações.
Em torno desse núcleo ficam o título, o resumo (muitas vezes estruturado em tópicos), as palavras-chave e a lista de referências. Revisões de literatura e relatos de caso têm formatos próprios, mas o princípio é o mesmo: cada seção responde a uma pergunta específica.
Normas Vancouver: o estilo de citação da área da saúde
Em periódicos das áreas biomédica e da saúde, o estilo de citação mais comum é o Vancouver, derivado das recomendações do International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE). Suas características centrais:
- As citações no texto recebem números, na ordem em que aparecem — geralmente entre parênteses, colchetes ou em sobrescrito.
- A lista de referências é ordenada pela ordem de citação, não por ordem alfabética de autor.
- Cada referência segue um padrão fixo de elementos: autores, título, periódico, ano, volume e páginas.
Essa é uma diferença prática relevante em relação à ABNT, que no texto usa o sistema autor-data e ordena as referências alfabeticamente. O estilo Vancouver tende a deixar o corpo do texto mais limpo, com a numeração no lugar de nomes e anos — uma das razões de sua adoção em revistas científicas. Ainda assim, confira sempre: alguns periódicos pedem APA, outros têm variações próprias do Vancouver.
Diretrizes de relato: um aliado da qualidade
Além do estilo de citação, vale conhecer as diretrizes de relato específicas para cada tipo de estudo. Elas funcionam como listas de verificação do que não pode faltar no texto: o CONSORT para ensaios clínicos, o PRISMA para revisões sistemáticas e o STROBE para estudos observacionais, entre outras.
Muitos periódicos pedem essas listas no momento da submissão. Usá-las desde a redação, e não só na checagem final, ajuda a produzir um artigo mais completo e com menos pendências na revisão por pares.
Dicas práticas para um artigo mais forte
Escreva o resumo por último. Ele precisa refletir o artigo pronto, e tende a ficar mais preciso quando todas as seções já estão fechadas.
Deixe os métodos detalhados. É a seção que sustenta a credibilidade do estudo e a que revisores costumam questionar com mais rigor. Detalhe suficiente para reprodução é o critério.
Não antecipe interpretação nos resultados nem repita resultados na discussão. Manter cada seção no seu papel evita redundância e deixa o texto mais enxuto.
Cuide das tabelas e figuras como peças autoexplicativas: títulos, legendas e unidades completos, e sempre chamadas no texto. Verifique também as exigências do periódico quanto a formato e resolução.
Trate as referências com rigor. Toda citação numérica precisa corresponder a uma entrada na lista, e toda entrada precisa ter sido citada. Um gerenciador de referências reduz muito o risco de erro nesse ponto.
Por fim, leia a carta de aceite e o escopo da revista com atenção. Um bom artigo enviado a um periódico de escopo incompatível é recusado sem chegar à revisão de mérito.
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